COMO AJUDAR SEU CACHORRO A ENVELHECER COM SAÚDE

Dia A Dia

Cães adotados na pandemia começam a entrar na terceira idade. Veterinária destaca a importância da alimentação adequada, da atividade física e do acompanhamento profissional para promover bem-estar em todas as fases de vida

Para quem vive com um cachorro, acompanhar o envelhecimento do animal pode ser uma experiência curiosa. De repente, aquele filhote cheio de energia já não corre pela casa da mesma maneira, dorme um pouco mais ou precisa de mais tempo para se levantar depois de uma soneca.

O envelhecimento faz parte da vida dos cães, já que é um processo natural de qualquer ser vivo, mas não precisa ser sinônimo de doença ou perda de qualidade de vida. Segundo a médica-veterinária Mayara Andrade, de GranPlus, da MBRF Pet, o importante é olhar para os cuidados que ajudam os animais a envelhecerem de forma saudável e entender que a prevenção começa antes de os primeiros sinais da idade aparecerem.

A idade em que um cão é considerado sênior varia principalmente de acordo com o porte. Segundo a American Animal Hospital Association (AAHA), uma referência utilizada para definir essa fase é considerar os últimos 25% da expectativa de vida estimada do animal. Por isso, cães de porte grande e gigante, que geralmente apresentam menor expectativa de vida, tendem a chegar a essa fase mais cedo do que cães de pequeno porte. Não existe, porém, uma idade cronológica única que determine quando um cão se torna sênior.

É justamente nesse período que a atenção aos cuidados preventivos ganha importância. “Não existe uma idade exata em que todos os cães passam a ser idosos. O envelhecimento, segundo a AAHA, é influenciado pelo porte, pela raça, pelo histórico de saúde e pelo estilo de vida. Por isso, mais importante do que esperar o animal apresentar sinais visíveis de “velhice’ é acompanhar sua saúde ao longo de toda a vida”, afirma a médica-veterinária.

Envelhecimento não começa com os pelos brancos

Os sinais mais conhecidos da idade, como pelos “grisalhos”, mais horas de sono ou menor disposição, podem chamar a atenção do responsável, mas o processo de envelhecimento é mais amplo.

Segundo a veterinária, com o passar dos anos, podem ocorrer alterações e declínios em diferentes funções do organismo, incluindo as cognitivas, além de mudanças no metabolismo, na composição corporal, na musculatura, nas articulações e na saúde bucal. Por isso, uma alteração de comportamento não deve ser automaticamente atribuída à idade.

A AAHA recomenda atenção a mudanças como redução de atividade, alterações de comportamento, como maior irritabilidade ou ansiedade, desorientação, mudanças no padrão de sono e menor interação com pessoas ou outros animais, além de perda de peso ou massa muscular, mudanças no apetite ou maior ou menor consumo de água e dificuldades de mobilidade. Esses sinais podem estar relacionados a condições de saúde que precisam ser investigadas.

“Quem convive diariamente com o cão pode perceber mudanças sutis na rotina e no comportamento do animal. Essas observações são importantes para o acompanhamento veterinário. Mesmo alterações iniciais, como mudanças na mobilidade, no apetite ou no comportamento, devem ser compartilhadas com o veterinário que acompanha o pet, seja durante os check-ups de rotina ou em uma consulta específica”, diz Mayara.

Idoso e ativo

Mayara explica que se o cachorro envelhece, não significa que os passeios e as brincadeiras precisam desaparecer. “A atividade física adequada ajuda a manter o animal ativo e pode contribuir para sua saúde física, cognitiva e seu bem-estar. O segredo é adaptar a rotina e o ambiente às condições de cada cão”.

Segundo a profissional, a atividade física deve fazer parte da rotina do cão também nessa fase, com adaptações quando necessário. Um cachorro acostumado a longas caminhadas pode precisar de ajustes no ritmo ou na duração dos passeios, enquanto animais que irão iniciar uma atividade física ou aumentar a intensidade dos exercícios devem passar por uma avaliação veterinária prévia, tenham ou não alterações de mobilidade.

“A atividade física continua sendo importante durante o envelhecimento, mas precisa respeitar os limites de cada animal. O responsável deve observar sinais de cansaço, desconforto ou dificuldade de locomoção e conversar com o veterinário para encontrar uma rotina adequada”, orienta Mayara.

Check-up sem um problema

Um dos principais aliados do envelhecimento saudável é o acompanhamento veterinário. As diretrizes da AAHA recomendam uma abordagem preventiva para cães seniores, com avaliações clínicas regulares e exames complementares de acordo com a necessidade individual de cada pet, visto após a avaliação do paciente pelo veterinário. O objetivo é identificar alterações o quanto antes de forma preventiva ou para acompanhamento no caso de condições mais crônicas. 

“Isso é importante porque alguns problemas podem começar de maneira silenciosa. Para o responsável, a consulta também é uma oportunidade de revisar vacinação, controle de parasitas, saúde bucal, alimentação, peso, atividade física e comportamento, iniciando uma preparação e conscientização do responsável também para essa nova fase”, orienta Mayara.

Cães adotados na pandemia já estão na terceira idade

Há ainda um grupo de cães para o qual esse assunto ganhou uma importância especial. Durante a pandemia de Covid-19, houve um aumento do interesse pela adoção de animais. Cinco ou seis anos depois, muitos daqueles cães já deixaram para trás a fase de filhote e estão entrando na maturidade.

Dependendo do porte, alguns já estão na fase sênior. Para a profissional, isso quer dizer que é um bom momento para os responsáveis que adotaram durante a pandemia revisarem os cuidados e conversarem com o veterinário sobre a próxima etapa da vida do animal.

“É comum que o responsável continue enxergando o cachorro como aquele filhote que chegou à família anos atrás. Mas as necessidades mudam com o tempo. Acompanhar essas mudanças e adaptar os cuidados é uma forma de contribuir para que o animal tenha mais qualidade de vida em cada fase”, afirma Mayara.

“No fim das contas, envelhecer é um processo natural da vida. E é importante sempre lembrarmos que cuidar de um cachorro não significa apenas aproveitar os anos de filhote ou adulto, mas acompanhar todas as fases da vida. Para os cães que chegaram às famílias durante a pandemia, essa próxima etapa está próxima ou já chegou. Para os demais, ela também vai chegar”, explica Mayara. “Hoje, a medicina veterinária está mais avançada, e os cães têm vivido mais, resultado também da evolução nos cuidados com saúde, alimentação, prevenção e acompanhamento veterinário. Quanto mais cedo esses cuidados fazem parte da rotina, maiores são as oportunidades de acompanhar o envelhecimento de forma saudável e contribuir para mais qualidade de vida e longevidade”, conclui a profissional.

Cinco cuidados para começar hoje

Mayara lembra que não é preciso esperar o cachorro envelhecer para incorporar hábitos que favoreçam uma vida saudável. Segundo ela, algumas medidas fazem parte do cuidado durante todas as fases:

1. Acompanhe o peso 

Alterações de peso devem ser avaliadas, principalmente quando acontecem sem mudanças intencionais na alimentação ou na rotina.

2. Observe o comportamento

Mudanças na disposição, no apetite, no sono ou na interação podem ser sinais de que algo mudou.

3. Mantenha consultas veterinárias

A frequência deve ser definida de acordo com a idade, o histórico e as necessidades individuais do cão.

4. Ofereça alimentação adequada

Composição e quantidade devem acompanhar as necessidades do animal, podendo ser necessários ajustes, principalmente em relação à recomendação diária. Isso também inclui a escolha de uma alimentação formulada especificamente para cada fase de vida. 

5. Mantenha o cachorro ativo

Passeios e brincadeiras devem fazer parte da rotina, sempre respeitando a condição física e os limites do animal. Quando necessário, adapte também o ambiente para facilitar a movimentação e garantir mais segurança e conforto, como evitar pisos escorregadios e facilitar o acesso aos locais que o animal utiliza no dia a dia.

Foto: Magnific

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